domingo, 23 de novembro de 2008

História Concisa do Romantismo Brasileiro

O artigo produzido pelas alunas do IV bloco de Letras na disciplina de Ficção na Literatura Nacional, fala sobre a história do Romantismo no Brasil, a divisão, seus principais autores e suas principais características.

CLEIDIANI
GABRIELA
JEANE
JULIANA
MARIA DO AMPARO


O SURGIMENTO DO ROMANTISMO NO BRASIL

O marco do Romantismo no Brasil deu-se com a publicação da revista Niterói, em Paris no ano de 1836, que tinha como slogan “Tudo pelo Brasil e para o Brasil”, criada por Gonçalves Magalhães, escritor brasileiro, que é considerado o fundador do movimento.

Como o Brasil tornou-se independente em 1822 e o Romantismo deu-se por volta de 1836, o surgimento do movimento está ligado à promoção da independência cultural do país, com a criação de uma Literatura com traços demasiadamente tradicionais. Também está ligado às exigências sócio-culturais do país: o novo público leitor, o nacionalismo ufanista e as instituições universitárias.

De início, romântico era uma oposição ao clássico, ou seja, os modelos da antiguidade Clássica foram substituídos pelos da Idade Média. A uma arte erudita opõe-se a arte que valoriza o folclórico e o nacional.

O movimento possuía algumas características como a exaltação à natureza pátria, o retorno ao passado histórico e a criação do herói nacional, o índio. Outras características marcantes foram, o sentimentalismo e o egocentrismo.

Sempre que algo era questionado, o romântico entrava em profunda depressão, sendo dominado pelo tédio, daí as fugas da realidade, a saudade da infância e a morte.

Já no final do Romantismo, as conturbações econômicas, políticas e sociais levam a uma história que reflete o lado social, abolicionista. É a decadência do regime monárquico e o aparecimento da poesia social de Castro Alves.

O romantismo dividiu-se em três momentos: a primeira geração é chamada de nacionalista ou indianista. Nela está presente a volta ao passado histórico, medievalismo e criação do herói nacional, na figura do índio; estão presentes também o sentimentalismo e a religiosidade. Principais representantes: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Aráujo Porto Alegre. Vejamos o poema intitulado “Se eu fosse querido”, de Gonçalves Dias, que possui características como religiosidade e o sentimentalismo:


Se eu fosse querido dum rosto formoso,
Se um peito extremoso - pudesse encontrar,
E uns lábios macios, que expiram amores
E abrandam as dores - pudesse beijar;
A tantos encantos minh'alma rendida,
Votara-lhe a vida - que Deus me quis dar;
Constante a seu lado, seus sonhos divinos
Aos sons dos meus hinos - quisera embalar.
Depois, quando a morte viesse impiedosa
Da amante extremosa - meus dias privar,
De funda saudade minha alma rendida
De tão dolorida iria quedar.

(DIAS, Gonçalves. Coleção de Poesias. Portugal: Leipzing, 1860)



A segunda geração é conhecida como “mal do século” ou “ultra romântica”. Foi influenciada pela poesia de Lord Byron e Musset. O egocentrismo, negativismo boêmio, pessimismo, dúvida, desilusão adolescente e tédio constante são algumas características da geração.

Já a terceira geração é conhecida como condoreira. É caracterizada pela poesia social e libertária. Os principais representantes são Castro Alves e Sousândrade. Uma das obras que mais se aproximou destas características é “Navio Negreiro”, de Castro Alves:

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

(ALVES, Castro. Navio negreiro. 2000)

O declínio do Romantismo no Brasil ocorre paralelo à a decadência da monarquia escravocrata. O golpe final foi em 1881 com a publicação dos primeiros romances de tendência naturalista e realista, como por exemplo, ” O Mulato” de Aluisio de Azevedo.

A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DO ROMANTISMO

A concepção que a cultura ocidental tinha da história era a teológica, de base judaico-cristã. Este pensamento atravessou a Idade Média e o Renascimento e passou a ser questionada apenas no século XVIII pelos Iluministas.

O Romantismo era a expressão cultural e artística da burguesia, classe que acreditava que suas forças mudariam os rumos de sua própria história, mas que acabou mudando os “rumos da história” como um todo.

Segundo Guinsburg(1978,p.14)“O romantismo é um fato histórico que assinala, na historia da consciência humana, a relevância da consciência histórica”. Por isso, o homem romântico tinha o desejo de organizar os fatos históricos e classificá-los, prenunciando o espírito analítico do Positivismo, no final do século XIX.

Na Europa, a nova ordem social trazida pela Revolução Francesa exigia dos intelectuais a busca de uma identidade nacional, baseadas no passado, na Idade Média. Daí o interesse do Romantismo Português por temas medievais.

No Brasil, o surgimento do Romantismo coincidiu com o momento de discussão acerca das questões de Identidade Nacional. Alfredo Bosi(2000,p.14) diz “o assunto prioritário da geração de intelectuais ativos entre os anos de independência e os meados do século XIX passava forçosamente pela construção da nova Identidade Social”.

Na área da Literatura, aqui no Brasil, havia muito o que fazer, pois as referências mais importantes ainda eram as lusitanas, não havia uma historiografia de autores nacionais. Assim, o nacionalismo e o historicismo romântico eram o caminho mais viável.

Na produção literária, a vertente nacionalista do Romantismo brasileiro encontrou no romance sua mais importante manifestação, fragmentando o Brasil em três espaços: a cidade, o campo e a floresta, que deram origem ao romance urbano, regional e histórico indianista.

A primeira geração foi marcada pela pesquisa histórica, busca das raízes raciais, culturais e lingüísticas da nacionalidade. Assim, pode-se afirmar que o Romantismo contribuiu para a formação da historia do país, rompendo as estruturas literárias lusitanas, até antes impostas.

Este grande marco, que foi o surgimento da história através do Romantismo, possui dois fatores relevantes na esfera acadêmica: eles definiram e documentaram as expressões da Identidade Nacional; na esfera escolar: assumiram um papel didático, e não menos ideológico, de formar os jovens brasileiros a partir desses textos.


BIBLIOGRAFIA

BOSI, Alfredo. Por um historicismo renovado: reflexo e reflexão da história literária. Teresa-Revista de Literatura Brasileira, nº1, 2002.

CEREJA, William. Ensino de Literatura. São Paulo: Atual, 2005.

GUINSBURG, J. Romantismo, historicismo e história. In___ (org.) O Romantismo: Perspectiva, 1978.



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*Estudantes do curso de Letras da UFPI, campus Senador Helvídio Nunes de Barros

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