Juliana Gonçalves Martins*
Resumo: Macunaíma, o herói de nossa gente, seu verdadeiro amor Ci e a muiraquitã, representam o povo brasileiro sua natureza e a cultura. O amor de Macunaíma por Ci faz com que Macunaíma vá atrás do presente dado por Ci, este amor que Macunaíma sente nos é apresentado durante o livro de Mário de Andrade.
Palavras-Chave: Ci, Macunaíma, Muiraquitã.
No primeiro parágrafo do livro de Mário de Andrade, Macunaíma: o herói sem nenhum caráter, está escrito “No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente.” (Andrade, 1991, p.9), já nos é afirmado que Macunaíma é nosso herói. Mais adiante no livro é contado o surgimento do povo brasileiro “Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele.” (Andrade, 1991, p.28), “Porém a água já estava suja da negrura do herói e por mais de Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo.” (Andrade, 1991, p.28 e 29), e o irmão Maanape “ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas” (Andrade, 1991, p.29), nestes trechos fica bem claro a origem do povo.
Depois de ter brincado com Ci, Mãe do Mato, Macunaíma se torna Imperador do Mato-Virgem, e depois da morte do filho dos dois, Ci dá a Macunaíma uma muiraquitã e sobe ao céu. Observamos que Macunaíma é o povo brasileiro, com suas qualidades e seus defeitos, Ci é a natureza que dá ao Macunaíma, povo brasileiro, o poder sobre a natureza, a possibilidade de exploração, essa relação entre a natureza, representada por Ci e o povo brasileiro, representado por Macunaíma, gera a cultura brasileira que seria a muiraquitã.
Percebemos a relação entre Macunaíma e Ci, ele torna-se o Imperador do Mato-Virgem “Quando ficou bem imóvel, Macunaíma se aproximou e brincou com a mãe do Mato. Vieram então muitas jandaias,” (...) “saudar Macunaíma, o novo Imperador do Mato-Virgem” (Andrade, 1991, p.18). Ocorrem declarações de amor “- Puxa! Como você cheira, benzinho” (Andrade, 1991, p.19) e os dois sempre “brincavam”, boa parte do capítulo “Ci, Mãe do Mato” Macunaíma e Ci ficam “brincando”, demonstrando uma relação bem forte entre os dois, entre a natureza e o povo brasileiro.
Percebe-se que Ci era importante para Macunaíma, quando Ci vai para o céu “No outro dia bem cedo o herói padecendo de saudades de Ci a companheira para sempre inesquecível, furou o beiço inferior e fez da muiraquitã um tebetá.” (Andrade, 1991, p.22), Macunaíma fica com muitas saudades de Ci e relembra dela a todo instante.
Quando Macunaíma perde a muiraquitã, o que leva Macunaíma a recuperá-la, é o fato da muiraquitã ser um presente da Ci, ou seja, o fato do povo brasileiro perder sua cultura, e esta foi dada pela natureza, a tentativa do povo brasileiro de recuperá-la é o que promove grande parte da história deste livro.
Apesar de Macunaíma ter “brincado” com muitas outras mulheres, nenhuma foi tão importante quanto Ci, pois durante todo o livro Macunaíma vai em busca do presente dado pela Ci.
A importância de Ci não está apenas no fato de ter tornado Macunaíma o Imperador do Mato-Virgem, ou ter dado a origem ao pé de guaraná, e sim pelo fato de Macunaíma ter se apaixonado por ela e ter gerado a cultura do povo brasileiro e pela dependência que o povo brasileiro tem da natureza.
Bibliografia
Andrade, Mario de. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. ed. 30. Belo Horizonte: Vila Rica, 1991.
* Aluna do Curso de Letras da Universidade Federal do Piauí, Campus Senador Helvídio Nunes de Barros

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