quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Construção da personagem Aurélia Camargo, no romance Senhora de José de Alencar.

O artigo a seguir fala a respeito da criação da personagem feminina de José de Alencar, produzido pela universitária Cleidiane, sob orientação da professora Cristiane Feitosa Pinheiro, na disciplina Ficção na Literatura Nacional no IV bloco de Letras, no Campo Senador Helvídio Nunes de Barros(UFPI).


A Construção da personagem Aurélia Camargo, no romance Senhora de José de Alencar.


Cleidiane Alves


RESUMO: O romance Senhora enquadra-se na categoria de romance urbano que trabalha temas ligados ao cotidiano, pondo em discussão certos problemas e valores vividos pela sociedade burguesa do século XIX, onde o dinheiro parece ter papel preponderante sobre os sentimentos. Nele, Alencar desenha um dos “perfis femininos” mais fortes dentro de sua obra.

PALAVRA-CHAVE: personagem, sociedade, burguesia, romantismo, dinheiro.

Aurélia é uma moça muito rica que foge às regras e aos costumes da época. Cresceu com a ausência do patriarca da família, vendo ocupar esse espaço sua mãe, uma mulher batalhadora na qual ela se espelhou. Aurélia é uma adolescente, apesar das páginas transcritas a surpreenderem numa fase conturbada de sua existência, em que o conflito íntimo parece emprestar-lhe feições adultas.
No século XIX, era dever do homem de casa arrumar casamento para a moça que pretendia casar-se. Muitas vezes, elas só conheciam o noivo no dia do casamento, mas Aurélia conseguiu quebrar esse tabu quando ela ofereceu casamento a Seixas, esse ato era considerado um desacato à moral vigente da sociedade burguesa daquela época.

–um dote de cem contos no ato do casamento, é isto?
–Resta-me conhecer a pessoa […].
-Seixas dirigiu ao velho uma séria de interrogações acerca da idade, educação, nascimento e outras circunstâncias que lhe interessavam. (ALENCAR, 2006, p.40)

Contudo, Aurélia era uma mulher independente, não queria sentir-se dominada e sim uma dominadora. Ela não queria casar para tornar-se serva do marido, tendo que ser obediente e submissa a ele, viver uma vida cheia de proibições e confinada aos afazeres domésticos. Pelo contrário, queria inverter os papéis, queria possuir os mesmos direitos que os homens daquela época.

[…] essa riqueza servirá para dar-me a única satisfação que ainda posso ter neste mundo. […] chamá-lo meu; meu marido, pois é este o nome de convenção. (ALENCAR, 2006, p. 91-92)

Como típica romântica adolescente que é, entre o dinheiro e o sentimento, Aurélia prefere o segundo ao primeiro, porque apesar de se mostrar forte e dominadora, o verdadeiro amor que ela sente por Fernando Seixas, a faz redimir de seu orgulho e perdoá-lo.

Referências Bibliográficas


ALENCAR, José de. Senhora. – São Paulo: Ciranda Cultural Editora e Distribuidora Ltda., 2006.

MOISÉS, Massaud. A Literatura Brasileira Através dos textos. 19 ed. S. Paulo: Cultrix, 1971-1995.

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