quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Equipe2008Vencer











Encontro na UFPI Campus Senador Helvídio de Barros, para prepara o material da apresentação do blog:Gabriela,Cleidiane,Amparo, Jeane e Juliana(Fotógrafa) no jardim na grama...


Agora Gabi quem está de fotografando por quê eu não poderia perder este momento...



Na sala de aula..



Jeane pensando no seu amor que esta longe...



Cleidiane e Jeane na maior alegria depois de uma avaliação feita por Gabi e Amparo(brincadeirinha, estávamos apenas reunidas para concluir nossas atividades)e Juliana fotografando.



Gabi e Amparo preparando o nosso trabalho de Teoria da Literatura II: Poesia e Ficção Moderna...



Amparo com sua seriedade e elegância!!!



Cleidiane e José Antônio dançando no pátio da UFPI, detalhe sem música...



Morgana, Cleidiane e Eu(Juliana), no ônibus durante a viagem para Fortaleza...



Nós no laboratório de informática com a professora Cristiane Pinheiro durante à aula, vocês devem estar se perguntando o que alunas do curso de letras querem com blogs, pois é a nossa querida professor com o "Projeto de Construção de Blogs Acadêmicos Área: Estudos Literários" mas não pense que é moleza, pois requer esforço,dedicação e tempo. Mas para a Equipe2008Vencer ficou experiência, o conhecimento, a alegria e as lembranças dos momentos de encontro, os almoços oferecidos pela Amparo e seu esposo o Valdir junto com suas filhas e o nosso querido amigo Edson, agradecemos também ao professor Frank Cesar e seus alunos do curso Sistema de Informação, enfim o nosso muito obrigada a todos que contribuíram para a contrução do nosso blog!!!

Nossos momentos juntos em sala de aula.

Equipe2008Vencer:Jeane,Juliana,Cleidiane,Amparo,Gabriela e a professora Cristiane Pinheiro, no laboratório de informática.



Nossas colegas Elisângela,Maria Helena e Andreia



Djiole, Cleidiane, Iranilda, Ana Maria, Cristiane, Juliana, Amparo, Elisângela e Auzenir.



Nuberval, José Antônio, Maria Aparecida e Francisco.



Maria José e Elisângela



Ayla, Fracimar e Alana



Kelly, Greicy, Morgana e Fernanda.


Rasley, Wanessa e Tamires



Como sempre no nosso cantinho a Equipe2008Vencer(Gabi, Juliana, Cleidiane, Jeane,Amparo), Maria José, Maria Helena bem escondida na foto, e Adreia conversando com Daira durante a aula de Cristiane.

Bossa nova

Gabriela Sales de Moura¹

Resumo:

A bossa nova é um movimento da musica popular brasileira, surgida no final da década de 1950 e início da década de 1960, caracterizado, inicialmente , como sendo um novo modo de cantar e tocar samba com improvisos e acordes compactos.Como no samba composto por Tom Jobim e Newtom Mendonça.

SAMBA DE UMA NOTA SÓ

Eis aqui este sambinha feito numa nota só
Outras notas vão entrar mas a base é uma só
Esta outra é consequência do que acabo de dizer
Como eu sou a consequência inevitável de você
Quanta gente existe por aí que fala tanto
E não diz nada ou quase nada
Já me utilizei de toda a escala
No final não sobrou nada não deu em nada
E voltei pra minha nota como eu volto pra você
Vou contar com a minha nota
como eu gosto de você
E quem quer todas as notas ré mi fá sol lá si dó
Fica sempre sem nenhuma fique numa nota só


Palavra- chave: Bossa nova, Jazz, João Gilberto


Introdução


Esse movimento foi baseado no jazz norte-americano, apesar da influencia rítmica dos negros, no Brasil, os jovens de classe media se reuniam nas chamadas sessões de samba, onde reinava o improviso e a escolha de palavras e acordes que refletiam o contexto em que viviam. uma marca presente da influência do jazz e na

¹Aluna do curso de licenciatura plena em letras UFPI;
Campus Senador Helvídio Nunes de Barros
Musica influência do jazz cantada por Carlos Lyra

INFLUENCIA DO JAZZ

Pobre samba meu
Foi se misturando se modernizando, e se perdeu
E o rebolado cadê?, não tem mais
Cadê o tal gingado que mexe com a gente
Coitado do meu samba mudou de repente
Influência do jazz
Quase que morreu
E acaba morrendo, está quase morrendo, não percebeu
Que o samba balança de um lado pro outro
O jazz é diferente, pra frente pra trás
E o samba meio morto ficou meio torto
Influência do jazz
No afro-cubano, vai complicando
Vai pelo cano, vai
Vai entortando, vai sem descanso
Vai, sai, cai... no balanço!
Pobre samba meu
Volta lá pro morro e pede socorro onde nasceu
Pra não ser um samba
com notas demais
Não ser um samba torto pra frente pra trás
Vai ter que se virar pra poder se livrar
Da influência do jazz


O uso maior de modulações e acordes exigiram também o desenvolvimento da audição de harmonia e da criação de novos verdilhaços ou posições instrumentais. (MEDAGLIA, 1993, P. 77)

Na década de 1950, havia no Brasil um forte sentimento de nacionalidade, durante o governo de Juscelino Kubitschek (1955-1960) a principal meta era o progresso, com o slogan “50 anos em 5”, por todo o pais idéias de modernidade e otimismo estavam presentes, influenciando diretamente a arte e a musica.
Em 1959, João Gilberto tem seu primeiro LP lançado “Chega de Saudade“ composição de Tom Jobim e Vinícius de Morais.

CHEGA DE SAUDADES

Vai minha tristeza e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim não sai de mim não sai
Mas se ela voltar se ela voltar
Que coisa linda que coisa louca
Há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços os abraços hão de ser
Milhões de abraços apertado assim
Colado assim colado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de viver longe mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim.

Essa canção foi regravada mais de cem vezes por vários artistas brasileiros e estrangeiros, iniciando assim a bossa nova. Alem de João Gilberto, Vinicius de Moraes, Nara Leão, Roberto Menescal e muitos outros, foram quem iniciaram a bossa nova.
A linguagem da bossa nova , assim como a do concretismo , baseava-se na objetividade. O sentido racional na composição das letras revela os desejos sentimentais, a esperança e a liberdade características do olhar da juventude que fizeram acontecer à bossa nova, e que faz ela tão presente ate nos dias de hoje, completando 50 anos de bossa nova.



Referencia bibliográficas:

http://www.bossanova.mus.br/letrasecifras.php
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre: http://pt.wikipedia.org/wiki/bossanova
MEDAGLIA,Júlio.Musica impopular.2º edição. São Paulo:Globo,2003










Construção da personagem Aurélia Camargo, no romance Senhora de José de Alencar.

O artigo a seguir fala a respeito da criação da personagem feminina de José de Alencar, produzido pela universitária Cleidiane, sob orientação da professora Cristiane Feitosa Pinheiro, na disciplina Ficção na Literatura Nacional no IV bloco de Letras, no Campo Senador Helvídio Nunes de Barros(UFPI).


A Construção da personagem Aurélia Camargo, no romance Senhora de José de Alencar.


Cleidiane Alves


RESUMO: O romance Senhora enquadra-se na categoria de romance urbano que trabalha temas ligados ao cotidiano, pondo em discussão certos problemas e valores vividos pela sociedade burguesa do século XIX, onde o dinheiro parece ter papel preponderante sobre os sentimentos. Nele, Alencar desenha um dos “perfis femininos” mais fortes dentro de sua obra.

PALAVRA-CHAVE: personagem, sociedade, burguesia, romantismo, dinheiro.

Aurélia é uma moça muito rica que foge às regras e aos costumes da época. Cresceu com a ausência do patriarca da família, vendo ocupar esse espaço sua mãe, uma mulher batalhadora na qual ela se espelhou. Aurélia é uma adolescente, apesar das páginas transcritas a surpreenderem numa fase conturbada de sua existência, em que o conflito íntimo parece emprestar-lhe feições adultas.
No século XIX, era dever do homem de casa arrumar casamento para a moça que pretendia casar-se. Muitas vezes, elas só conheciam o noivo no dia do casamento, mas Aurélia conseguiu quebrar esse tabu quando ela ofereceu casamento a Seixas, esse ato era considerado um desacato à moral vigente da sociedade burguesa daquela época.

–um dote de cem contos no ato do casamento, é isto?
–Resta-me conhecer a pessoa […].
-Seixas dirigiu ao velho uma séria de interrogações acerca da idade, educação, nascimento e outras circunstâncias que lhe interessavam. (ALENCAR, 2006, p.40)

Contudo, Aurélia era uma mulher independente, não queria sentir-se dominada e sim uma dominadora. Ela não queria casar para tornar-se serva do marido, tendo que ser obediente e submissa a ele, viver uma vida cheia de proibições e confinada aos afazeres domésticos. Pelo contrário, queria inverter os papéis, queria possuir os mesmos direitos que os homens daquela época.

[…] essa riqueza servirá para dar-me a única satisfação que ainda posso ter neste mundo. […] chamá-lo meu; meu marido, pois é este o nome de convenção. (ALENCAR, 2006, p. 91-92)

Como típica romântica adolescente que é, entre o dinheiro e o sentimento, Aurélia prefere o segundo ao primeiro, porque apesar de se mostrar forte e dominadora, o verdadeiro amor que ela sente por Fernando Seixas, a faz redimir de seu orgulho e perdoá-lo.

Referências Bibliográficas


ALENCAR, José de. Senhora. – São Paulo: Ciranda Cultural Editora e Distribuidora Ltda., 2006.

MOISÉS, Massaud. A Literatura Brasileira Através dos textos. 19 ed. S. Paulo: Cultrix, 1971-1995.

domingo, 23 de novembro de 2008

Vídeo Sobre a Obra Memórias Póstumas de Brás Cubas - MACHADO DE ASSIS

Uma simulação de aula sobre a obra de Memorias Póstumas de Brás Cubas, onde alunos representam uma aula com perguntas e respostas.

Vídeo Semana de Arte Moderna e São Paulo nos anos 20

Aqui mostra a São Paulo no inicio do século XX

Vídeo Sobre o Romantismo

Vídeo apresenta um resumo das características do romantismo brasileiro e suas gerações. Foi produzido pelas alunas da UFPI: Cleidiani, Gabriela, Jeane, Juliana, Maria do Amparo, com a orientação da professora Cristiane Pinheiro.

História Concisa do Romantismo Brasileiro

O artigo produzido pelas alunas do IV bloco de Letras na disciplina de Ficção na Literatura Nacional, fala sobre a história do Romantismo no Brasil, a divisão, seus principais autores e suas principais características.

CLEIDIANI
GABRIELA
JEANE
JULIANA
MARIA DO AMPARO


O SURGIMENTO DO ROMANTISMO NO BRASIL

O marco do Romantismo no Brasil deu-se com a publicação da revista Niterói, em Paris no ano de 1836, que tinha como slogan “Tudo pelo Brasil e para o Brasil”, criada por Gonçalves Magalhães, escritor brasileiro, que é considerado o fundador do movimento.

Como o Brasil tornou-se independente em 1822 e o Romantismo deu-se por volta de 1836, o surgimento do movimento está ligado à promoção da independência cultural do país, com a criação de uma Literatura com traços demasiadamente tradicionais. Também está ligado às exigências sócio-culturais do país: o novo público leitor, o nacionalismo ufanista e as instituições universitárias.

De início, romântico era uma oposição ao clássico, ou seja, os modelos da antiguidade Clássica foram substituídos pelos da Idade Média. A uma arte erudita opõe-se a arte que valoriza o folclórico e o nacional.

O movimento possuía algumas características como a exaltação à natureza pátria, o retorno ao passado histórico e a criação do herói nacional, o índio. Outras características marcantes foram, o sentimentalismo e o egocentrismo.

Sempre que algo era questionado, o romântico entrava em profunda depressão, sendo dominado pelo tédio, daí as fugas da realidade, a saudade da infância e a morte.

Já no final do Romantismo, as conturbações econômicas, políticas e sociais levam a uma história que reflete o lado social, abolicionista. É a decadência do regime monárquico e o aparecimento da poesia social de Castro Alves.

O romantismo dividiu-se em três momentos: a primeira geração é chamada de nacionalista ou indianista. Nela está presente a volta ao passado histórico, medievalismo e criação do herói nacional, na figura do índio; estão presentes também o sentimentalismo e a religiosidade. Principais representantes: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Aráujo Porto Alegre. Vejamos o poema intitulado “Se eu fosse querido”, de Gonçalves Dias, que possui características como religiosidade e o sentimentalismo:


Se eu fosse querido dum rosto formoso,
Se um peito extremoso - pudesse encontrar,
E uns lábios macios, que expiram amores
E abrandam as dores - pudesse beijar;
A tantos encantos minh'alma rendida,
Votara-lhe a vida - que Deus me quis dar;
Constante a seu lado, seus sonhos divinos
Aos sons dos meus hinos - quisera embalar.
Depois, quando a morte viesse impiedosa
Da amante extremosa - meus dias privar,
De funda saudade minha alma rendida
De tão dolorida iria quedar.

(DIAS, Gonçalves. Coleção de Poesias. Portugal: Leipzing, 1860)



A segunda geração é conhecida como “mal do século” ou “ultra romântica”. Foi influenciada pela poesia de Lord Byron e Musset. O egocentrismo, negativismo boêmio, pessimismo, dúvida, desilusão adolescente e tédio constante são algumas características da geração.

Já a terceira geração é conhecida como condoreira. É caracterizada pela poesia social e libertária. Os principais representantes são Castro Alves e Sousândrade. Uma das obras que mais se aproximou destas características é “Navio Negreiro”, de Castro Alves:

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

(ALVES, Castro. Navio negreiro. 2000)

O declínio do Romantismo no Brasil ocorre paralelo à a decadência da monarquia escravocrata. O golpe final foi em 1881 com a publicação dos primeiros romances de tendência naturalista e realista, como por exemplo, ” O Mulato” de Aluisio de Azevedo.

A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DO ROMANTISMO

A concepção que a cultura ocidental tinha da história era a teológica, de base judaico-cristã. Este pensamento atravessou a Idade Média e o Renascimento e passou a ser questionada apenas no século XVIII pelos Iluministas.

O Romantismo era a expressão cultural e artística da burguesia, classe que acreditava que suas forças mudariam os rumos de sua própria história, mas que acabou mudando os “rumos da história” como um todo.

Segundo Guinsburg(1978,p.14)“O romantismo é um fato histórico que assinala, na historia da consciência humana, a relevância da consciência histórica”. Por isso, o homem romântico tinha o desejo de organizar os fatos históricos e classificá-los, prenunciando o espírito analítico do Positivismo, no final do século XIX.

Na Europa, a nova ordem social trazida pela Revolução Francesa exigia dos intelectuais a busca de uma identidade nacional, baseadas no passado, na Idade Média. Daí o interesse do Romantismo Português por temas medievais.

No Brasil, o surgimento do Romantismo coincidiu com o momento de discussão acerca das questões de Identidade Nacional. Alfredo Bosi(2000,p.14) diz “o assunto prioritário da geração de intelectuais ativos entre os anos de independência e os meados do século XIX passava forçosamente pela construção da nova Identidade Social”.

Na área da Literatura, aqui no Brasil, havia muito o que fazer, pois as referências mais importantes ainda eram as lusitanas, não havia uma historiografia de autores nacionais. Assim, o nacionalismo e o historicismo romântico eram o caminho mais viável.

Na produção literária, a vertente nacionalista do Romantismo brasileiro encontrou no romance sua mais importante manifestação, fragmentando o Brasil em três espaços: a cidade, o campo e a floresta, que deram origem ao romance urbano, regional e histórico indianista.

A primeira geração foi marcada pela pesquisa histórica, busca das raízes raciais, culturais e lingüísticas da nacionalidade. Assim, pode-se afirmar que o Romantismo contribuiu para a formação da historia do país, rompendo as estruturas literárias lusitanas, até antes impostas.

Este grande marco, que foi o surgimento da história através do Romantismo, possui dois fatores relevantes na esfera acadêmica: eles definiram e documentaram as expressões da Identidade Nacional; na esfera escolar: assumiram um papel didático, e não menos ideológico, de formar os jovens brasileiros a partir desses textos.


BIBLIOGRAFIA

BOSI, Alfredo. Por um historicismo renovado: reflexo e reflexão da história literária. Teresa-Revista de Literatura Brasileira, nº1, 2002.

CEREJA, William. Ensino de Literatura. São Paulo: Atual, 2005.

GUINSBURG, J. Romantismo, historicismo e história. In___ (org.) O Romantismo: Perspectiva, 1978.



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*Estudantes do curso de Letras da UFPI, campus Senador Helvídio Nunes de Barros

MULHERES DO CORTIÇO: SÍMBOLO DE OBEDIÊNCIA, SENSUALISMO E AUTONOMIA

Amparo
Jeane


Resumo: Para o presente artigo, foram analisadas três personagens femininas em “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, sendo Bertoleza, Rita Baiana e Leonie, buscando nelas a identificação e a representação da mulher no século XIX e seu estado de sensualismo, obediência e prostituição na obra.
Palavras-chave: sensualismo, obediência, prostituição, O Cortiço.


Introdução

A mulher, durante muitos anos, foi vista como um ser frágil, e suas maiores conquistas estavam relacionadas aos afazeres domésticos. Não participava da vida política, estava sujeita à tutela do pai, do irmão e depois do marido. A vida da mulher era marcada pelo “não”.

Quando mulher e homem se casavam, tornavam-se um, e este um era o homem. A mulher passava a ser a sombra do esposo, o chefe da casa. Cabia à mulher ser esposa, mãe, a rainha do lar. Não decidia nada, nem mesmo sobre a educação dos filhos. A mulher era totalmente excluída e submissa aos valores da sociedade, fundamentada na diferença, essa é uma realidade do século XIX.

Os textos naturalistas acabam por tocar em temas até então proibidos, como o homossexualismo feminino, característica presente em uma das personagens abordadas na obra. E era vista com uma Literatura “imoral”, em face dos preconceitos provincianos.

De início, abordaremos a imagem da figura feminina que a história tradicionalmente nos mostra, beleza: a mulher dócil, mulher vegetal, personagem negra, ingênua, sofre influência do meio, é fiel a João Romão, o que percebe-se no trecho:


Bertoleza representava ao lado de João Romão o papel tríplice de caixeiro, de criada e de amante. Mourejava a valer, mas de cara alegre; às quatro da madrugada estava já na faina de todos os dias, aviando o café para os fregueses e depois preparando o almoço para os trabalhadores de uma pedreira que havia para além de um grande capinzal aos fundos da venda. (AZEVEDO, 1995, p. 18)



Segundo Coutinho (2002, p. 12), “Bertoleza como o seu comportamento de mulher obediente, submissa, apresentada no Naturalismo, e o interesse do autor defender a teoria do determinismo, o homem é um animal, presa de forças fatais e superiores”.

Rita Baiana é a representação da sensualidade brasileira. Seu jeito alegre, com atitudes tomadas pelo impulso do que pela razão e sua total falta de responsabilidade são traços marcantes de sua conduta. Ela é a síntese de uma raça brasileira delineada no romance. Muito amiga e popular, ela conquistava a todos, desde suas amigas no trabalho, como as crianças e os homens em geral.
Jerônimo sente fortemente atraído por ela, como no episodio em que este a presencia alcançando, tendo a conclusão que:


Nada mais sentia, nem ouvia, do que aquela música embalsamada de baunilha, que lhe entontecera a alma; e compreendeu perfeitamente que dentro deles aqueles cabelos crespos, brilhantes e cheirosos, da mulata, principiavam a formar um ninho de cobras negras e venenosas que lhe iam devorar o coração. (AZEVEDO, 1995, p. 92)




Rita Baiana é uma mulata independente diferentemente de Bertoleza, que era a mulher que não tinha liberdade de escolha, era submissa, ao contrário de Rita, que era uma mulher expansiva e liberada, recusando-se por isso o casamento.


Casar? Protestou Rita. Nessa não cai a filha de um pai. Casar? Livra! Pra quê? Para arranjar cativeiro? Um marido é pior que o diabo; pensa logo que a gente é escrava! Nada! Qual! Deus te livre! Não há como viver cada um senhor e dono do que é seu. (AZEVEDO, 1995, p. 95)


Podemos perceber na obra “O Cortiço” uma personagem diferente das outras que foram citadas, uma figura que vai além dos costumes da mulher do século XIX: Léoie, prostituta de luxo e madrinha de duas garotas do cortiço, Pombinha e Juju, que moravam com ela. Representava, para as mulheres pobres do cortiço, o símbolo de autonomia financeira feminina da época. Percebemos bem essa característica no seguinte trecho da obra: “Léoie, com suas roupas exageradas e barulhentas de cocote à francesa, levantando rumor quando lá ia e punha expressões de assombro em todas as caras”. (AZEVEDO, 1995, p. 119).

A personagem Léoie, com essa autonomia financeira que causara aos moradores do cortiço, acabou por influenciar as afilhadas, agradando-lhe com roupas, calçados e fazendo com que as mesmas tivessem os mesmos interesses que ela em ser uma prostituta de luxo.

Léoie trazia sempre muito bem calçada e vestida a afilhada, levando o capricho ao ponto de cortar a roupa da mesma fazenda com que fazia as suas e pela mesma costureira: “Arranjava-lhe chapéus escandalosos como os dela e dava-lhe jóias”.


Conclusão

O cortiço é uma obra que retrata alguns dos problemas sociais que enfrentamos hoje na sociedade como: traições, violências sexuais, relacionamentos lésbicos, entre outros. Sua leitura é agradável, pois é de grande relevância para a história da Literatura, levando-nos a analisar a sociedade em que estamos inseridos.


Bibliografia

AZEVEDO, Aluizio. O Cortiço. 28 ed. São Paulo: Ática, 1995.

COUTINHO, Afrânio.
Era realista, era de transição IN: A Literatura do Brasil. 5 ed. Global, 1999.

Revista mundo jovem, n 324, março de 2002, p. 09.

SANT´ANA. Afonso.
Análise estrutural de Romances brasileiros. Vozes, 7 ed.

Ci: O Verdadeiro Amor de Macunaíma

Juliana Gonçalves Martins*

Resumo: Macunaíma, o herói de nossa gente, seu verdadeiro amor Ci e a muiraquitã, representam o povo brasileiro sua natureza e a cultura. O amor de Macunaíma por Ci faz com que Macunaíma vá atrás do presente dado por Ci, este amor que Macunaíma sente nos é apresentado durante o livro de Mário de Andrade.

Palavras-Chave: Ci, Macunaíma, Muiraquitã.

No primeiro parágrafo do livro de Mário de Andrade, Macunaíma: o herói sem nenhum caráter, está escrito “No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente.” (Andrade, 1991, p.9), já nos é afirmado que Macunaíma é nosso herói. Mais adiante no livro é contado o surgimento do povo brasileiro “Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele.” (Andrade, 1991, p.28), “Porém a água já estava suja da negrura do herói e por mais de Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo.” (Andrade, 1991, p.28 e 29), e o irmão Maanape “ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas” (Andrade, 1991, p.29), nestes trechos fica bem claro a origem do povo.

Depois de ter brincado com Ci, Mãe do Mato, Macunaíma se torna Imperador do Mato-Virgem, e depois da morte do filho dos dois, Ci dá a Macunaíma uma muiraquitã e sobe ao céu. Observamos que Macunaíma é o povo brasileiro, com suas qualidades e seus defeitos, Ci é a natureza que dá ao Macunaíma, povo brasileiro, o poder sobre a natureza, a possibilidade de exploração, essa relação entre a natureza, representada por Ci e o povo brasileiro, representado por Macunaíma, gera a cultura brasileira que seria a muiraquitã.

Percebemos a relação entre Macunaíma e Ci, ele torna-se o Imperador do Mato-Virgem “Quando ficou bem imóvel, Macunaíma se aproximou e brincou com a mãe do Mato. Vieram então muitas jandaias,” (...) “saudar Macunaíma, o novo Imperador do Mato-Virgem” (Andrade, 1991, p.18). Ocorrem declarações de amor “- Puxa! Como você cheira, benzinho” (Andrade, 1991, p.19) e os dois sempre “brincavam”, boa parte do capítulo “Ci, Mãe do Mato” Macunaíma e Ci ficam “brincando”, demonstrando uma relação bem forte entre os dois, entre a natureza e o povo brasileiro.

Percebe-se que Ci era importante para Macunaíma, quando Ci vai para o céu “No outro dia bem cedo o herói padecendo de saudades de Ci a companheira para sempre inesquecível, furou o beiço inferior e fez da muiraquitã um tebetá.” (Andrade, 1991, p.22), Macunaíma fica com muitas saudades de Ci e relembra dela a todo instante.

Quando Macunaíma perde a muiraquitã, o que leva Macunaíma a recuperá-la, é o fato da muiraquitã ser um presente da Ci, ou seja, o fato do povo brasileiro perder sua cultura, e esta foi dada pela natureza, a tentativa do povo brasileiro de recuperá-la é o que promove grande parte da história deste livro.

Apesar de Macunaíma ter “brincado” com muitas outras mulheres, nenhuma foi tão importante quanto Ci, pois durante todo o livro Macunaíma vai em busca do presente dado pela Ci.

A importância de Ci não está apenas no fato de ter tornado Macunaíma o Imperador do Mato-Virgem, ou ter dado a origem ao pé de guaraná, e sim pelo fato de Macunaíma ter se apaixonado por ela e ter gerado a cultura do povo brasileiro e pela dependência que o povo brasileiro tem da natureza.

Bibliografia

Andrade, Mario de. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. ed. 30. Belo Horizonte: Vila Rica, 1991.



* Aluna do Curso de Letras da Universidade Federal do Piauí, Campus Senador Helvídio Nunes de Barros